Francisco Libermann

O Venerável P. Francisco Libermann viveu uma memorável jornada de fé. Teve seu ponto alto em 1848, quando trouxe um novo grupo e com ele uma renovada energia espiritual para os Espiritanos que mudou completamente a Congregação. Ele é considerado nosso “segundo fundador”.

Nasceu numa família de judeus ortodoxos na região francesa da Alsácia, em 1802, e recebeu o nome de Jacob. O pai de Jacob Libermann era rabino e Jacob estava se preparando para se tornar um rabino também, mas seus estudos o conduziram para o Novo Testamento e para Cristianismo. Foi batizado com o nome de Francisco Maria Paulo, no Natal de 1826. Em breve se sentiria chamado para o sacerdócio, iniciando os estudos com determinação. No entanto, sobreveio-lhe a doença na forma de violentos ataques de epilepsia. O facto pôs a sua vocação em suspenso por quinze anos, quando foi finalmente ordenado no ano de 1841.

Esses anos por que passou, de muita luta e esforço, foram também de graça e amadurecimento, quando Libermann se tornou conselheiro e confidente para muitos seminaristas e também para outras pessoas desejosas de crescimento na vida espiritual. As provações e dolorosas experiências vividas, bem como as alegrias e bênçãos recebidas, desenvolveram nele uma enorme confiança na Providência Divina e a clara percepção do Espírito Santo dirigindo as questões humanas.

Essa experiência de uma “união prática com Deus” ajudou-o, e a outros também, a constatar a presença do Divino no quotidiano e a encarar a vida com fé e confiança..

A devoção e atitude receptiva de Libermann diante do Espírito Santo, em muito lhe serviu durante o difícil período de organização da sua Congregação do Imaculado Coração de Maria.  O mesmo se diga para que ele conseguisse a autorização oficial de Roma para iniciar o apostolado entre as pessoas de origem africana.  Os companheiros de Libermann enxergaram a cura da sua epilepsia como uma aprovação dos céus para a missão daquele “pequeno grupo” do qual ele tinha se tornado um líder carismático e um apóstolo visionário.

Juntando-se aos Espiritanos

Brevemente, o seu crescente grupo seria convidado por Roma para se juntar a uma comunidade bem mais antiga, jurídica e canônicamente estabelecida na França. Isso em tempos bem difíceis neste país – meados do século XIX. Essa Congregação era a dos Espiritanos. No ano de 1848, o jovem Libermann uniu o seu vigoroso e florescente grupo aos Espiritanos , trazendo de imediato a vida nova e o reforço em pessoal de que tanto carecia aquela madura Congregação.

Francisco Libermann foi um pioneiro em estratégias que até hoje são reconhecidas como modelo para a atividade missionária moderna. Estimulou os Espiritanos a “tornarem-se um com o povo”, de modo que cada comunidade atendida recebesse e compreendesse o Evangelho no contexto de suas próprias tradições. O fervor do Padre Libermann era de tal forma inspirador que quando se soube da morte de alguns dos primeiros missionários na África Ocidental, numerosos seminaristas na França apareceram como voluntários para substituir os falecidos.

Inspiração para muitos

Ele se consumiu ao serviço da sua obra missionária, entregando a alma ao Senhor da Messe no dia 2 de fevereiro de 1852, um pouco antes de completar 50 anos. Interessante é que ele próprio nunca viajou ao exterior. Entretanto, inspirou e motivou, literalmente, milhares de missionários ao redor do mundo.

Libermann foi um visionário, um missionário, um homem profundamente espiritual, que afetou o decorrer da história nos últimos 150 anos. A sua influência e a de seus confrades Espiritanos na Igreja e no mundo emergente tem sido inestimável.

O Padre Libermann enfrentou obstáculo incríveis, mas pacientemente aceitou suas provações e tribulações com muita paz interior e tranquilidade. Que Deus abençoe a Congregação do Espírito Santo e a todos nós pela intercessão do Venerável Francisco Libermann. Que seu ensinamento espiritual de uma “união prática com Deus” através do Espírito Santo nos conduza para um caminho de maior santidade nas nossas vidas diárias.