Noticias da República Centro Africana

Há já vários meses que Patrick Mbea, superior Espiritano em República Centro-Africana, fez um apelo ao Conselho Geral no sentido de ajudar a formar uma equipa espiritana que pudesse ser enviada a Bangui, antes de mais, para acudir com solicitude pastoral à situação caótica das populações ali deslocadas. As Províncias da França e da Tanzânia amavelmente desligaram Gabriel Myotte-Duquet e Paulo Flamm dos encargos que tinham na sua província respetiva para se deslocar para a República Centro-Africana. O compromisso inicial (destes confrades) terá a duração de seis meses; nesse tempo investigarão no terreno de que maneira os Espiritanos poderão dar um contributo particular, mais permanente, a essa população de deslocados Aqui publicamos o texto do seu primeiro repertório interno.

“Como resultado da luta que rebentou entre as milícias ‘Seleka’ e as ‘anti-Balaka, em Dezembro de 2013 e Janeiro de 2014, as Nações Unidas e o Alto Comissário para os Refugiados (UNHCR) calculam que o número de deslocados, só na região de Bangui, é de uns 60.000, distribuídos por 34 acampamentos; os deslocados em todo o país são mais de 410.000. Calcula-se que o número dos refugiados que vivem nos países vizinhos será de 420.000. Muitas agências não governamentais estão já no terreno a trabalhar com Organizações Internacionais de maior peso. Recentemente tivémos um encontro com o Director Nacional de Cáritas, Padre Eliseu Nguedjande, que nos ajudar a obter licença para participar nas reuniões semanais das agências das Nações Unidas e das organizações não governamentais (NGO’s) que aqui trabalham. Isto vai permitir-nos conhecê-las e conhecer o trabalho levado a cabo por cada uma delas”.

“Presentes no país, há quase dois meses e guiados pelas Irmãs da Caridade (Madre Teresa) visitámos oito acampamentos de deslocados em Bangui e arredores. Este primeiro contacto serviu para uma avaliação inicial da ajuda em curso no sentidode socorrer esta gente. O número de pessoas em cada acampamento varia : nalguns, são umas centenas; noutros, são milhares. Por exemplo, no Seminário Bimbo de São Marcos, há umas 7.600 pessoas. Inofrmaram-nos que outros 6.500 fugidos de suas casas após vários brotes de violência uns ter-se-iam refugiado na Paróquia de São Paulo, local de residência do Sr.Bispo”.

Este serviço pastoral estará sedeado em Bangui, daí há-de estender-se às paróquias suburbanas e até às de outras dioceses da República Centro-Africana, quando possível. Será levado a cabo sob a égide da Cáritas Nacional, cujo presidente é o Arcebispo espiritano Dieudonné Nzapalainga. Tal serviço consistirá em escutar, consolar e promover a paz e a reconciliação, especialmente para os que tiveram de fugir das suas casas à procura de refúgio, segurança e tranquilidade mental. Muitos destes acampamentos das populações deslocadas estão situados em propriedades da Igreja; por isso o nosso trabalho deverá desenvolver-se em colaboração com os párocos e as comunidades religiosas, que são os responsáveis de todo o trabalho pastoral. Muitos deslocados perderam tudo, incluindo os membros da família. Pensamos em preparar uma série de reflexões sobre a paz e a reconciliação, quer nos acampamentos de deslocados quer nas comunidades paróquiais”.

“Nalguns locais, o refrão saído dos lábios de todos é :”Temos fome” e :“ Os nossos filhos têm fome”. Vimos mulheres que pouco mais têm que pele e ossos. Tais cenas são duras de aceitar porque somos conscientes da quantidade de alimentos que nas nossas terras vai parar ao lixo, por razões higiénicas ou simplesmente porque não satisfaz o gosto dos consumidores”.

Também encontrámos muitas crianças, para não dizer todas, que perderam os seus pais nos enfrentamentos. Por outro lado, a imensa maioria não frequentam a escolar, de há dois e três anos a esta parte, devido à instabilidade política e à deterioração da economia. O Arcebispo Dieudonné Nzaplainga pediu-nos que prestássemos atenção particular à sua ducação. No início do Ano Lectivo, já marcado para o mês Novembro, veremos mais claramente qual é a situação e procuraremos tomar medidas adequadas a este aspecto preocupante e de acordo com as NGO’s que já prestam assistência ás crianças”

Recordamos as palavras do Papa Francisco: “Comparo a Igreja a um hospital móvel, depois da batalha. É inútil perguntar aos feridos qual o nível do colesterol ou do açúcar no sangue. A primeira obrigação é curar-lhes as feridas. Depois virá o resto”.

Por favor, nas vossas orações lembrai-vos de todos os espiritanos que trabalham com as vítimas da violência e da guerra.

O Conselho Geral

10 de novembro de 2014

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