FANO: A Fébre ébola na Guiné-Conacri

Caros confrades, parentes, amigos e conhecidos,

 Há várias semanas que os meios de comunicação vêm dando conta da grave epidemia hemorrágica Ebola na Guiné-Conacri. Três regiões são normalmente citadas: Guéckédou, epicentro de doença, Kissidougou, Macenta (no sul da Guiné) e a capital Conacri. Três confrades estão presentes em Mongo, a 17 km de Guéckédou e não muito longe da fronteira com a Serra Leoa, outro país que também esta sofrendo com a mesma epidemia e dois confrades em Kipé (Conacri). Os confrades que vivem em Boffa, a 150 km de Conacri (3 na paroquia e 7 no noviciado) vêm sempre a Conakry para fazer as compras. Os que estão no norte do País, em Koundara, estiveram presentes em Conacri para a missa crismal na Semana Santa.

Ainda não existe uma vacina e nem tratamento para esta grave doença e o numero de vitimas aumenta cada dia: 59 mortos, 76 mortos, 86 mortos, uma centena de mortos – casos já contados…Os números, contudo, indicam a gravidade da situação e a complexidade do problema. Uma equipe de técnicos competentes nacionais e internacionais em infectologia, em epidemiologia e no acompanhamento psicossocial está presente nos locais infectados.

O governo através da TV, Radio, Jornais e cartazes de publicidade tentam conscientizar e proteger as pessoas ainda não infectadas. Eis algumas maneiras de contrair a infecção: utilização de objetos contaminados que pertencem a pessoas infectadas ou que pertenciam a pessoas que já morreram, preparação dos funerais das pessoas mortas pelo Ebola, consumir carnes de animais mortos pelo vírus na zona rural, etc. Uma parte da população leva a sério as orientações e as seguem, outra parte procura conhecer as causas e diz que o vírus da Ebola foi lançado para eliminar grupos de indivíduos. O ataque das instalações das ONG por manifestantes enraivecidos forçou a saída momentânea de Macenta, a semana passada, da equipe dos Médicos sem Fronteiras. Tudo isto mostra complexidade do problema que é visto explicitamente como responsabilidade humana. Este tipo de inquietação exprime de maneira clara os riscos por que passam as populações vulneráveis nos dias de hoje. Mesmo se as comunidades de Base dos setores missionários onde se encontram os nossos confrades não tenham vitimas, isto não significa que o vírus não poderá contaminar as mesmas. Com a mobilização das populações, suas normas de referencias, suas crenças e os sistemas de valores que se desenvolvem depois da oficialização da descoberta da doença em 09 de fevereiro de 2014 é difícil de broquear a propagação do vírus para outros lugares.

 E como estão agindo os confrades espiritanos diante desta situação?

Os confrades permanecem em suas missões. Eles continuam o seu trabalho missionário assumindo as alegrias e as penas que se manifestam quando acontece este tipo de situação. Sem temer os riscos, eles respeitam as regras dos técnicos da vigilância sanitária. A presença deles reforça a fé no mundo futuro que o povo guineense, que eles evangelizam, é chamado a crer e que devem continuar a viver. O testemunho deles falam mais do que as palavras. Em Mongo, os confrades fazem as suas visitas pastorais na zona rural e escutam os comentários feitos pelas pessoas com as suas diversas opiniões. Não consideram quem as fazem, mas procuram convida-las a ser prudentes e a ver além das implicações ideológicas. Foi justamente o que aconteceu em Koundou (34 km de Guéckédou) de 30/04 ao 05/04, no retiro dos catecúmenos. Durante a missa dominical do dia 06 de abril na Paroquia Santo Tiago de Lambanyi (Conacri), no momento da saudação da paz, os confrades convidaram os fieis a faze-lo só oralmente entre as pessoas que estavam próximas umas das outras e pediram igualmente a solidariedade espiritual e social para todas as famílias e pessoas que estavam isoladas por causa do Ebola. Sem ter os mesmos meios que os técnicos sanitários que estão trabalhando nas regiões contaminadas, procuram assim mesmo ajudar as pessoas. É preciso reconhecer o esforço dos confrades. No noviciado, os formadores e os noviços acolhem as visitas fazendo-as desinfetar as mãos com agua sanitária. Também tomaram a iniciativa de telefonar às suas famílias para lhes comunicar que estão bem. A comunicação entre os membros das comunidades espiritanas, os parentes e os amigos guineenses são uma ajuda importante e traduzem uma solidariedade mutua.

Diante do « monstro assassino Ebola », todos em Guiné-Conacri, em Guiné Bissau, em Mauritânia e ao Senegal, todos nós rezamos pela Guiné-Conacri. Foi a maneira de todos nós demonstrarmos a nossa solidariedade espiritana. Na nossa reunião regional do dia 06 de abril em Dakar, os confrades do Senegal rezaram pela Guiné-Conacri. Foi a nossa maneira de demonstrar o nosso carinho por este país, aos seus habitantes e aos nossos confrades. Da mesma forma fizemos em relação aos confrades originários da RCA presentes na FANO. Desejamos, como prevê o calendário anual da nossa circunscrição, de nos encontrarmos no Cap des biches, depois da Páscoa para o nosso retiro anual para rezarmos e vivermos juntos a nossa solidariedade nas provações. Mas ainda não é certo que estaremos todos presentes, caso aconteça que as fronteiras com os países vizinhos da Guiné-Conacri permaneçam fechadas.

Dakar no dia 10 de março de 2014.

Jean-Claude Angoula – Superior Principal.

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