DIÁRIO ESPIRITANO do Campo de Refugiados DE NYARUGUSU JUNHO 2015

No início de maio deste ano, fomos surpreendidos com a chegada de muitos refugiados do Burundi, que vieram para a Tanzânia por causa da crise política e da violência subseqüente no seu país.

Centenas de mulheres, crianças e homens, especialmente da parte do sul do Burundi atravessaram para a Tanzânia e se estabeleceram em Kagunga, uma pequena aldeia, rodeada por encostas de montanhas de um lado, e as águas do Lago Tanganika, por outro. Dentro de um curto período de tempo, o número de refugiados cresceu para milhares. A aldeia de Kagunga viu-se numa situação precária, com o grande número de refugiados esgotando a capacidade dos serviços sociais. Alimentação, saúde, saneamento e abrigo tornaram-se demasiado pouco para os milhares que se instalaram na aldeia. Com a falta de saneamento, a cólera eclodiu, levando à morte de muitas pessoas.

Em colaboração com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o governo da Tanzânia providenciou transporte para levar alguns dos refugiados de Kagunga para a cidade de Kigoma. Esta operação durou cerca de três semanas. Temporariamente, os refugiados foram localizados no estádio Lago Tanganica, e os enfermos foram tratados no hospital em Kigoma. Outros refugiados burundeses chegaram à Tanzânia pelas aldeias no Noroeste, e muitos foram localizados no acampamento de Nyarugusu. Na minha opinião, a decisão de localizá-los em Nyarugusu baseou-se nas instalações existentes e disponíveis. Nyarugusu já tinha albergado mais de 55, 000 refugiados da República Democrática do Congo (RDC). No entanto, a transferência dos refugiados burundeses recém-chegados ao Nyarugusu ainda está em curso. Muitos transportes foram contratados para levar os refugiados para os acampamentos. É bom sinal começar a ouvir que o número de refugiados do Burundi está a diminuir. Os números mais recentes indicam que cerca de 53, 000 chegaram à Tanzânia recentemente.

Nyarugusu é o último campo na Tanzânia apoiado pelo ACNUR. As instalações e serviços tais como educação, saúde, alimentação, serviços sociais, água e meio ambiente, são administrados por Organizações Não-Governamentais Internacionais (ONGs internacionais), operando sob os auspícios do ACNUR. A existência desses serviços e instalações, embora não suficientes, tornou mais fácil e lógico receber os refugiados em Nyarugusu. Graças a Deus, que o campo de Nyarugusu ainda está em vigor, caso contrário as coisas teriam sido bem piores. Um bom exemplo é que aqueles que chegaram ao campo com cólera, foram imediatamente controlados e tratados por causa da disponibilidade de serviços de saúde. Outras ONGs internacionais também chegaram para auxiliar.

No entanto, trazendo os refugiados do Burundi para Nyarugusu também criou muitos desafios. Por exemplo, as escolas foram fechadas, e as salas de aula foram disponibilizados para os recém-chegados. Algumas igrejas foram arbitrariamente usadas para hospedar os refugiados; muitas famílias foram reunidas em tendas. De acordo com a informação de um representante do governo, os que chegam de novo a Nyarugusu para outro local, mas não sabemos quando isso se fará.

De nossa parte, continuamos com as atividades, como de costume, mas o número de pessoas que servimos aumentou significativamente. O desafio é que a situação no Burundi ainda é volátil e não podemos prever o futuro. Continuamos a receber os refugiados, a rezar juntos e a prestar-lhes todos os serviços pastorais necessários. Estamos disponíveis e presentes no meio deles. Feliz coincidência porque muitos deles viveram outrora no campo de Mutabila onde estivemos presentes: eles eram os nossos paroquianos, por isso nós os conhecemos e eles nos conhecem.

Meu sonho era conhecê-los num ambiente melhor e mais humano, mas não num campo de refugiados! Muitas vezes, me pergunto, Oh Deus, quando é que tal situação acaba? Até quando estas pessoas pobres continuarão a “fugir” da sua terra? Quem deve encontrar uma solução duradoura para esta tragédia humana na região do Leste Africano?

Oremos pela misericórdia de Deus! Somos todos seres humanos e o que afeta um, afeta a todos. Por favor, rezem por nós.

Irmão Mariano CSSP

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