A nossa primeira sessão

Resumo das decisões do Conselho Geral – de Setembro a Dezembro de 2012

A tradição manda que o Conselho Geral publique no fim de cada sessão um resumo das decisões tomadas. O resultado desta sessão poderia parecer pobre uma vez que o nosso trabalho consistiu mais em abrir novos dossiês do que em concluir reflexões com decisões finais. Pensámos dar-vos um apanhado do que foram para nós estes primeiros meses de vida e trabalho juntos.

A transição

De 12 a 19 de Setembro, fizemos a passagem das equipas, a antiga (2004-2012) passou o cargo à nova. Jean-Paul Hoch marcou bem a missão do CG, fazendo-se eco do Superior Geral: “Confirma os seus irmãos na sua vocação espiritana, segundo o espírito dos Fundadores e a tradição viva do Instituto. Assegura a unidade entre todos os Espiritanos e com a Igreja. Trabalha para o bem comum e a vitalidade da Congregação” (RVE 193). “Confirmar a vocação” de cada um, “assegurar a unidade” e fortificar a pertença são para nós os objetivos essenciais do nosso mandato.

A seguir fizemos a partilha das circunscrições e dos serviços, de acordo com o esquema que já foi comunicado. Os conselheiros passaram muitas horas com os seus antecessores para discutir sobre a caminhada das circunscrições e dos respetivos dossiês. A nova equipa teve de absorver enorme quantidade de informações, em muito pouco tempo. Um conselheiro fez recentemente esta reflexão: agora, ao ver um pouco melhor em que consiste a nossa missão e a realidade da Congregação é que damos valor a esta partilha com aqueles que acompanharam os confrades durante oito anos. Não há transição ideal.

Falámos muito de animação, de apoio aos superiores de circunscrições, e da reunião dos novos superiores, que se organiza cada ano. Já durante os primeiros dias a questão dos “confrades em situação irregular” veio ao de cima. Muitas energias têm sido gastas pelos conselhos locais e também pelo Conselho Geral para abordar estas situações e procurar soluções.

O retiro da equipa

No princípio de Outubro, fizemos o nosso retiro à beira-mar, em Tor San Lorenzo. Tomámos tempo para estreitar os laços da equipa na oração e na partilha. Também começámos a refletir juntos e a partilhar as nossas intuições sobre o que nos parecem ser as prioridades para a Congregação. É claro que tínhamos levado connosco os textos de Bagamoyo (entregues a uma equipa para a sua última edição que cedo virá a lume) e abordámos uma variada gama de temas: a nossa vida como equipa, as visitas (conteúdos, formas), a maneira de trabalhar em sessão, a formação permanente e a animação, as finanças, etc. Neste momento, nas nossas partilhas, já surgiu um outro conceito de visita às circunscrições. Tomamos este assunto mais tarde na sessão e esperamos elaborar um guia prático, modesto, para Fevereiro. Gostaríamos que as nossas visitas fossem mais eventos comunitários e não tanto acontecimentos, encontros de circunscrições e/ou encontros regionais, com certos processos que permitam viver juntos e escutar a realidade dos confrades e das circunscrições ao mesmo tempo que percorremos juntos um pedaço da caminhada no sentido de “confirmar a nossa vocação” e “fazer a unidade”.

Alguém nos disse que uma dimensão importante deste serviço de toda a Congregação começa entre nós: é importante para toda a família espiritana que o Conselho Geral seja uma equipa unida que vive num verdadeiro espírito de comunhão. Até agora não foram necessários muitos esforços para sentir um ambiente de verdadeira fraternidade no seio do Conselho Geral e na comunidade. As crises e as tensões virão certamente, mas queremos comprometer-nos com alimentar esta comunhão. Temos de aprender a receber semelhante graça, cada dia.

Interrupções

Dedicámos, depois, algumas semanas à aprendizagem da língua italiana. Repartimo-nos entre Assis e Roma para esta etapa importante de adaptação ao nosso meio. Todos apreciámos muito esta espécie de pausa no meio da transição que nos permitiu “ir às aulas” e, simplesmente, aprender a falar.

Fomos ainda convidados a participar em vários acontecimentos da Congregação – capítulos, aniversários – que aceitamos sem olhar lá muito para o nosso calendário. Isso fez com que enviássemos às circunscrições o calendário, que está no Guia da Administração Geral. Pede-se às circunscrições que tenham em conta dito calendário no momento de planificar os acontecimentos aos quais querem que participe uma representação do CG. O Conselho Geral, esse, deverá aplicar estritamente esta disciplina porque as horas de trabalho em comum são muito importantes e rapidamente se consomem.

A proteção de menores

Conseguimos produzir o documento pedido por Bagamoyo sobre a proteção de menores, a nossa primeira experiência de publicação: a redação, a consulta de alguns confrades, a correção, as traduções, as novas correções, a paginação e o envio final de um documento. Vivemos ainda um momento intenso e emocionante com a visita de uma das vítimas de abusos, numa obra da Congregação, que passou uma semana connosco. Tivemos conversas muito profundas algumas das quais estão refletidas no documento final.

Escuta

Cada sessão do Conselho Geral começa com uma mesa-redonda sobre os últimos acontecimentos na Congregação, que nos faz sentir as batidas do seu coração. As cartas dos confrades, os convites, os pedidos de socorro, os avisos de falecimento, os movimentos de pessoal, os acontecimentos políticos, as catástrofes naturais, as chamadas telefónicas (hoje mais através de Skype), os estados de saúde, os relatórios das visitas…tudo é retomado, por vezes brevemente, outras profundamente. Temos tido ainda muitas pessoas que nos visitam, vindas de todos os cantos do mundo, e temos sentido os ecos do Sínodo sobre a nova evangelização. Tudo isso faz parte das nossas partilhas e alimenta a nossa oração diária.

Algumas decisões

Ainda assim conseguimos finalizar alguns assuntos:

• Aprovámos projetos como a fundação de novas comunidades-missões da Circunscrição Europa na Bélgica (em Bruxelas e Charleroi), bem como um projeto de construção para autofinanciamento no Quénia;

• Aprovámos os textos capitulares de: Holanda, Alto Juruá, Grã-Bretanha e ainda as eleições e reeleições de superiores: Sebastião Bonjour para o Alto-Juruá, Philip Marsh para Grã-Bretanha e Jude Emeka Nzeadibe para a Circunscrição Europa;

• Examinámos muitos pedidos de ajuda de parte de circunscrições com dificuldades ou com projetos novos;

• Examinámos e confirmámos as decisões de conselhos de circunscrição nos casos de demissões e renuncias;

• Aprovámos o orçamento para 2013 do Conselho Geral e da Casa Generalícia;

• Pensámos no futuro do nosso Conselho. Foram oficialmente nomeados: Michael Kilkenny (Irlanda) para o cargo de Secretário Geral a partir do dia 1º de Setembro de 2013; Joachim Abellan (França) para o cargo de Assistente Ecónomo Geral a partir de 1º de Setembro de 2013; e Jean-Marc Sierro (Suíça) para o cargo de Ecónomo Geral a partir de 1º de janeiro de 2015. José de Sousa aceitou generosamente prolongar o seu mandato até essa data. Estas decisões exigiram um longo processo de consultas e discernimento (RVE 241.1).

É preciso colocar à parte o processo das nomeações missionárias que exigiu um trabalho de recolha de dados, uma primeira organização dos pedidos em função das necessidades e das prioridades (estabelecidas pela equipa anterior), depois muitas reuniões para finalizar as decisões (sem falar dos múltiplos contatos para levar a bom termo as negociações). A este propósito, queremos também propor com urgência algumas mudanças que facilitarão o processo com o fim de o agilizar e tornar mais profundo.

O que aí vem.

Os textos oficiais do Capítulo estão quase prontos. O Vaticano deve ainda transmitir-nos a aprovação final das modificações à RVE.

Pensamos inaugurar um plano de animação com temas. Seria centrado na meditação da Regra de Vida, distribuída pelos oito anos do mandato, o que nos levaria ao capítulo de 2020. Pensamos em um programa como o seguinte, que ainda precisa de ser ajustado:

1. Vocação espiritana (capítulos 1 e 5)

2. Vida no Espírito (capítulos 4 e 6)

3. Vida comunitária (capítulo 3)

4. Missão (capítulo 2)

Queremos elaborar materiais, quer para nós mesmos usarmos nas nossas visitas, quer para as circunscrições que procuram meios para animar o projeto comum. Esperamos engajar vários peritos espiritanos para nos ajudar neste programa. Queremos que as visitas sejam parte importante deste programa. Como podem ver, temos muitas ideias que ainda precisam ser concretizadas.

Pierre Jubinville

This entry was posted in Informações Espiritanas and tagged , . Bookmark the permalink.